terça-feira, 25 de agosto de 2020


O PASTOR E AS OVELHAS
No Evangelho de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, segundo escreveu o Apóstolo João, capítulo vinte e um e versículos quinze a dezessete, encontramos a seguinte redação, na Bíblia King James Atualizada: “Assim, após tomarem o desjejum, Jesus questionou a Simão Pedro: “Simão, filho de João, tu me amas mais do que estes outros? ”. Responde ele: “Sim, Senhor, Tu sabes que amo”. Jesus o encarregou: “Cuida dos meus cordeiros”. Outra vez Jesus lhe perguntou: “Simão, filho de João, tu me amas? ”.  Ele afirmou: Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo”. Jesus lhe confiou: “Pastoreia as minhas ovelhas”. Pela terceira vez Jesus perguntou: “Simão, filho de João, tu me amas? ”. Pedro ficou angustiado por Jesus haver-lhe perguntado pela terceira vez “tu me amas”, e assegurou-lhe: “Senhor, Tu conheces todas as coisas e sabes que eu Te amo! ”. 
Os versículos imediatamente anteriores a este relato (Jo 21.1-14), definem o cenário para o diálogo de Jesus com Pedro, na presença de mais seis discípulos. Nesta cena na praia do mar de Tiberíades, Jesus fez com que Pedro vivesse uma experiência que removeria definitivamente qualquer espectro de sua negação, Pedro havia negado a Jesus três vezes. Três vezes Jesus pergunta a Pedro se ele o amava, e na terceira vez Jesus diz: “Você me ama realmente mais dos que estes? ” (NVI). A princípio tem-se a impressão de que “estes”, a que Jesus se refere (os outros seis discípulos) não lhe amavam o bastante. Mas, consultando os originais, verificamos que, na primeira vez, Jesus diz: “amas-me [a palavra grega ágape, “amor deliberado de sacrifício próprio”] mais do que estes? ” Na segunda vez, Jesus se concentrou apenas em Pedro, e usou a mesma palavra grega. Na terceira vez, Jesus usa a palavra grega phileo (que significa “afeição, afinidade ou amor fraterno”), e o que Ele perguntou, na verdade, queria dizer “És mesmo meu amigo? ” Todas as vezes, Pedro respondeu, usando a palavra grega phileo, termo que envolve a afeição calorosa e natural das emoções e, portanto, um amor mais pessoal e afetivo. Provavelmente para realçar ainda mais a magnitude deste episódio, Jesus se utiliza de um costume muito comum na época: repetir três vezes uma afirmação, que era a forma solene de um hebreu confirmar uma missão. Jesus estava, portanto, confirmando não só a Pedro, mas a todos os seus discípulos e em todas as épocas, a missão de apascentar ovelhas. Esta pergunta de Jesus a Pedro, proferida a quase dois mil anos, continua ecoando nos dias atuais: “pastoreia as minhas ovelhas”.
É evidente que Jesus não se refere a ovelhas (animal), mas aos seus seguidores, comparando-os a ovelhas. E, essa analogia não é por acaso. Analisando as características da ovelha entendemos porque Jesus faz essa comparação. Deus criou os animais. Todos eles foram criados com algum mecanismo de defesa para afastar ou atacar os seus predadores. No mundo animal, os bichos têm que ficar sempre alertas: a qualquer momento podem ser devorados por um de seus predadores. Uma parte deles tem armas poderosas contra esses ataques, os chamados “mecanismos de defesa”, que afastam ou ferem os animais que oferecem perigo. Eles podem fazer parte do próprio bicho, como venenos, espinhos e mudanças no corpo, ou ser um aspecto de seu comportamento – os animais que agem à noite ou que andam em bandos são um exemplo disso.
Como cada espécie é diferente, com organismos, habitats, rotinas e predadores diversos, cada uma tem um jeito de se defender. Todos têm seus meios de defesa, porém, a ovelha é o único animal terreno que não possui defesa alguma, ela é totalmente vulnerável, ela fica no fim da cadeia alimentar, não se defende, não tem habilidades de luta. Isto é muito interessante, descobrimos que, como ovelhas, somos totalmente dependentes do nosso Pastor, totalmente dependentes de Jesus. Esta característica deve estar sempre evidente em nós. Normalmente queremos nos defender, a nossa justiça própria quer prevalecer, achamos que estamos certos, e lutamos por isto até o fim. Isto acontece com todos nós. Esquecemos que somos ovelhas e que devemos viver na total dependência do Bom Pastor: Jesus Cristo.
A Bíblia diz que Jesus é quem nos defende, quem nos protege (Jo.10.11: “Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas”). Não podemos perder a característica de ovelha. A Bíblia também diz que devemos lançar sobre Ele as nossas ansiedades (1 Pe 5.7), pois Ele tem cuidado de nós. Quando nos autos defendemos, estamos dizendo para o próprio Jesus: não preciso de ti, tua defesa não serve para mim, as tuas decisões sobre os meus problemas não são as melhores, tu não sabes o que é melhor para mim! É necessário revermos nossa conduta se assim estivermos nos comportando.
Outra particularidade das ovelhas é que elas não comem qualquer coisa, elas se alimentam exclusivamente de capim, e o capim precisa estar novo, precisa estar fresquinho, precisa estar bom. A ovelha não fica atrás de todo tipo de alimento, se aparece uma novidade ali ela não corre para ver o que é, e já quer experimentar, sem saber de onde veio, sem saber quem produziu, sem saber se vai fazer bem ou mal, já vai comendo. Isto não é normal de uma ovelha. Assim deve ser o crente, o pastor tem grande responsabilidade nisso, de providenciar para as ovelhas, a alimentação genuína da Palavra de Deus. Os crentes bereanos nos dão um exemplo a ser seguido. Em Atos 17:11 lemos:: "Ora, estes de Beréia eram mais nobres que os de Tessalônica; pois receberam a palavra com toda a avidez, examinando as Escrituras todos os dias para ver se as coisas eram, de fato, assim" (RA). Lucas fala que este eram "mais nobres", a ideia ali não é em relação à riqueza de bens (mesmo que pessoas ali eram de classe alta), mas eram "nobres de mente", porque? 
Uma outra peculiaridade muito interessante das ovelhas é que elas conhecem a voz do seu pastor (Jo.10.27: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem”). Conta-se uma história bem interessante acerca das ovelhas saberem ouvir a voz do pastor: Um rapaz foi à África e estando ali viu um grande lago onde muitos animais iam beber água. De repente, chegou um pastor com cerca de duas centenas de ovelhas e elas começaram a beber, depois chegou outro pastor, com outras ovelhas, então o rapaz falou meu Deus como ele vai saber quais são as ovelhas dele, pois todas ficaram juntas? Em seguida, chegou um terceiro pastor, com mais uma quantidade de ovelhas. O rapaz notou que os pastores ficaram conversando enquanto as ovelhas bebiam. Dali a pouco foi saindo um por um, e as ovelhas escutaram a voz de cada pastor chamando-as e cada rebanho seguia ao seu pastor, sem se misturar. 
Depois de conhecermos um pouco as características das ovelhas, entendemos com mais profundidade a insistência de Jesus com Pedro: “pastoreia as minhas ovelhas”. Pastor, conforme a etimologia do termo, é aquele que conduz as ovelhas ao pasto e as vigia, no pasto.  Pedro atendeu realmente o chamado do Mestre Jesus e foi um verdadeiro pastor na etimologia da palavra, conduziu-as e as vigiou no pasto. Aprendemos com Pedro que ser pastor é muito mais que ser um dirigente de cultos. Apascentar é muito mais do que isso, é se preocupar com os irmãos que estão fracos na fé, com enfermidades, com problemas de família, financeiros, etc. Pedro visitava as igrejas que se multiplicavam em toda a Judéia, Galiléia e Samaria. Com aquele zelo pastoral que não queria saber das notícias por outros, mas por si mesmo, chegou a uma cidadezinha por nome de Lida (At 9.32), que na verdade, era uma aldeia cerca de dezoito quilômetros a sudeste de Jope na planície de Sefelá. Ora um grande pastor, como Pedro, com tantas coisas importantes para fazer, deveria se incomodar com uma igrejinha tão pequena como a de Lida? Mas ele tinha essa preocupação, e isso, é uma característica de um verdadeiro pastor, não se importa apenas com grandes igrejas que tem grandes” entradas”, mas com igrejinhas pobres que tem o mais rico tesouro: que são almas que foram compradas e remidas no sangue de Jesus. 

O apóstolo Pedro quando chegou ali, encontrou um homem paralítico jazendo em uma cama já a oito anos, chamado Enéias. Então vendo aquela situação e com o seu coração pastoral condoído disse-lhe: ´Enéias Jesus Cristo te dá saúde; levanta-te e faze a tua cama. E logo se levantou” (At 9:34). O resultado dessa visita pastoral é que Enéias ficou curado e que todos habitantes de Lida e Sarona viram isso e se converteram ao Senhor. Dali ele foi chamado para Jope, onde havia morrido uma discípula chamada Dorcas e Pedro orando por ela e chamando-a ela levantou-se, e isso foi notório por toda Jope, e muitos creram em Jesus. Vejam só o resultado de duas visitas pastorais: Um paralítico curado, duas aldeias inteiras convertidas, uma mulher ressuscitada e muitas pessoas salvas. Se Pedro não tivesse esse cuidado pastoral quanto prejuízo a igreja de Lida, Sarona e Jope teriam tido? Isso é o que está acontecendo hoje, pastores que não visitam as ovelhas, não aconselham, e quanta tragédia poderia ser evitada se isso fosse uma prática comum, porém divórcios acontecem, pessoas se desviam, ou são cooptadas por falsas religiões. Quantos enfermos com seus familiares são abandonados a sua própria sorte pois os pastores estão envolvidos com coisas grandes demais e não têm mais tempo para apascentar. Todo o seu tempo é preenchido com construções de templos, com problemas contábeis, com viagens, bancos, reuniões em convenções, para resolver problemas ministeriais, isto para não falar daqueles que, prevalecendo do cargo de pastor, vão atrás de cargos políticos, como se fosse possível fazer política e apascentar ovelhas ao mesmo tempo.  A única coisa que verdadeiramente deveriam estar fazendo que é cuidar das ovelhas do Senhor, não sobra tempo para isso. Aparecem no templo só para dirigir o culto e então voltam aos seus afazeres, até o próximo culto. E as ovelhas ficam entregues à sua própria sorte, embaladas com discursos semanais muito piedosos, porém sem nenhuma eficácia (a Palavra de Deus é viva e eficaz (Hb 4.16)).
A Bíblia diz em provérbios 27.23, “Procura conhecer o estado das tuas ovelhas; põe o teu coração sobre os teus rebanhos”. Isto é da maior importância, tanto do ponto de vista secular como espiritual. Quem cuida de ovelhas, sabe que se não tiver cuidado, o prejuízo é líquido e certo, pois como já vimos acima, uma ovelha não sabe se defender e há muitos predadores. Ninguém é tão estúpido de deixar o seu patrimônio nas mãos de qualquer um, é necessário que seja alguém responsável e cuidadoso. Será que Deus exigiria menos do que um empresário deste mundo? É só lermos em Gênesis 31.38-40: “Estes vinte anos eu estive contigo; as tuas ovelhas e as tuas cabras nunca abortaram, e não comi os carneiros do teu rebanho. Não te trouxe eu o despedaçado; eu o pagava; o furtado de dia e o furtado de noite da minha mão o requerias. Estava eu assim: De dia me consumia o calor, e de noite a geada; e o meu sono fugiu dos meus olhos”. Que vida difícil de um pastor da época de Jacó, tinha que prestar contas de cada ovelha aos seus cuidados, havia um preço por cada uma delas. As ovelhas pastoreadas por Jacó eram animais herbívoros, que tinham um valor monetário, mas, e as ovelhas espirituais do Senhor que foram compradas com o sangue derramado do filho de Deus? Devemos estar cientes de que o pastor será responsabilizado por aquelas que se perderem das que estão sob os seus cuidados. O valor de tais ovelhas é altíssimo, pois o sangue de Jesus tem um valor infinito, e Ele entregou esse capital valiosíssimo nas mãos do pastor, e Ele o requererá. “Apascenta as minhas ovelhas”, apenas isso, nada mais que isso. É o que Jesus outorgou a Pedro e aos pastores de hoje.
Davi que, apesar de seus erros, teve um coração perfeito para com o SENHOR (1 Re 11.4), tendo a consciência de que as relações entre Deus e o seu povo são assemelhadas às que existem entre o pastor e as suas ovelhas, descreve no salmo de número vinte e três a felicidade de se ter o SENHOR como pastor. Pastor que expressa o seu empenho e incessante cuidado pelos seus seguidores, os quais são o precioso alvo do seu divino amor. Ele tem cuidado de cada um deles, como um pai cuida de seus filhos e como um pastor, das suas ovelhas. Quando o salmista diz “nada me faltará”, significa que não me faltará nada que for necessário à realização da vontade de Deus na minha vida e que me contentarei com a provisão e o cuidado do Bom Pastor, mesmo em tempos difíceis, porque confio no seu amor e cuidado por mim. Mediante esta metáfora (da ovelha) frequentemente empregada no Antigo Testamento, Deus é comparado a um pastor, ilustrando o seu grande amor por seu povo. O próprio Senhor Jesus empregou a mesma metáfora para expressar seu relacionamento com os seus (Jo 10.11-16; cf. Hb 13.20; 1 Pe 5.4). Duas verdades destaca-se aqui, primeira: Deus, através de Cristo e do Espírito Santo, está tão afeiçoado a cada um de seus filhos, que Ele deseja amar, cuidar, proteger, guiar e estar perto desses filhos, como o bom pastor cuida das suas ovelhas ( Jo 10.11,14); segunda: os crentes são as ovelhas do Senhor, pertencem a Ele e é alvo especial do seu amor e atenção. Embora todos nós andávamos desgarrados como ovelhas (Is 53.6), o Senhor nos redimiu com seu sangue derramado (1 Pe 1.18,19), e agora somos dele. Como suas ovelhas, podemos lançar mão das promessas desse salmo quando atendemos a sua voz e o seguimos. Porque o Pastor está presente e perto de nós, podemos deitar em paz, livre de todo medo. O Espírito Santo como nosso Consolador, Conselheiro e Ajudador comunica-nos o cuidado pastoral e a presença de Cristo (Jo 14.16-18; cf. 2 Tm 1.7). O nosso descanso tranquilo na presença do SENHOR terá lugar em verdes pastos, isto é, em Jesus e na Palavra de Deus, que são indispensáveis a uma vida abundante (Jo 6.32-35,63; 8.31; 10.9; 15.7).  Quando ficamos desanimados, o Bom Pastor reaviva e revigora a nossa alma mediante seu poder e graça (Pv 25.13). Em tempos de perigo, dificuldade, e mesmo de morte, o crente não teme nenhum mal. Por quê? Porque o SENHOR está conosco em todas as situações da vida (cf. Mt 28.20). A vara (um pedaço de pau curto) mencionada pelo salmista nesse salmo, é uma arma de defesa ou disciplina, que simboliza a força, ou seja, o poder e autoridade de Deus (cf. Êx 21.20; Jó 9.34). O cajado (uma vara longa e delgada, tendo um gancho numa das extremidades) serve para trazer a ovelha para perto do pastor, para guiá-la no caminho certo, ou para removê-la em caso de perigo. A vara e o cajado de Deus nos dão certeza do seu amor e orientação em nossa vida (cf. 71.21; 86.17).
Esse salmo de Davi nos mostra que, em qualquer situação o crente pode confiar que o Bom Pastor fará com que todas as coisas cooperem para o seu bem (Rm 8.28; Tg 5.11). O alvo do crente que segue o Bom Pastor e desfruta da sua bondade e misericórdia é um dia estar com Ele eternamente (1 Ts 4.17), contemplar sua face (Ap 22.4) e servi-lo para sempre na sua casa (Ap 22.3; Jo 14.2). 
Estamos vivendo os tempos trabalhados preditos por Paulo em 2 Tm 3, mas, por mais difíceis que sejam os tempos, lembremo-nos das palavras de Jesus a Pedro: “pastoreia as minhas ovelhas”.

O Evangelho Pragmático


O Evangelho Pragmático
Gálatas 1.6,7 
O que é pragmatismo?  
O pragmatismo constitui uma escola de filosofia estabelecida no final do século XIX, com origem no Metaphysical Club, um grupo de especulação filosófica liderado pelo lógico Charles Sanders Peirce, pelo psicólogo William James e pelo jurista Oliver Wendell Holmes, Jr., congregando em seguida acadêmicos importantes dos Estados Unidos. Segundo essa doutrina metafísica, o sentido de uma ideia corresponde ao conjunto dos seus desdobramentos práticos, ou seja, a validade de uma doutrina é determinada pelo seu bom êxito prático. É uma filosofia de vida que diz que as ideias que produzem efeitos práticos têm valor. Isto é, se funcionou é bom e deve ser colocado em prática. Para o pragmático o valor de uma ideia, de um método ou de um meio empregado está estritamente ligado ao alcance de resultados. O que importa é se funciona, se dá certo, se produz os efeitos e resultados desejados. Se é certo ou não, se é verdadeiro ou não, se é legal ou não, se é ético ou não, não interessa! O que interessa é se funciona, se produz resultados.
O apóstolo Paulo ficou perplexo quando percebeu que os cristãos da Galácia haviam passado tão depressa para “outro evangelho”. Atualmente muitos crentes, por falta de conhecimento ou por conveniência, têm sido convencidos a aceitarem um “outro evangelho”, que podemos denomina-lo de evangelho pragmático, pois se enquadra perfeitamente na definição acima de pragmatismo. Na época de Paulo, o “outro evangelho” consistia não somente em crer em Cristo, mas também ligar-se à fé judaica mediante a circuncisão, as obras da lei e a guarda dos dias santos judaicos. Hoje o “outro evangelho” é aquele que é pragmático, ou seja, que produz os resultados desejados pelos pregadores, independentemente de estar ou não de acordo com os princípios bíblicos. Estes pregadores abandonaram o temor a Deus. A Bíblia afirma claramente que há um só evangelho, "o evangelho de Cristo". Este evangelho nos veio "pela revelação de Jesus Cristo" e pela inspiração do Espírito Santo. O evangelho é definido e revelado na Bíblia, a Palavra de Deus.  Quaisquer ensinos, doutrinas, ou ideias que, originados em pessoas, igrejas ou tradições, e que não estejam expressos ou subentendidos na Palavra de Deus, não podem ser incluídos no evangelho de Cristo. Misturá-los com o conteúdo original o evangelho é "transtornar o evangelho de Cristo". Os pregadores deste “outro evangelho” (pragmático), se enquadram perfeitamente no perfil definido pelo Apóstolo Paulo em 2 Tm 3.1-9
O evangelho pragmático usa o nome de Deus, usa uma linguagem religiosa e piedosa para obter resultados. Se os meios empregados são corretos ou não, se a doutrina ensinada é bíblica ou não, se conta com a aprovação de Deus ou não, não interessa! O que interessa é se funciona; é se atrai pessoas; é se enche os templos; é se traz resultados financeiros; é se arrebanha adeptos. Não há preocupação com a qualidade do evangelho praticado e muito menos com a autenticidade. A preocupação é exclusivamente com os resultados obtidos, especialmente o financeiro, independente de estar de acordo, ou não, com a doutrina bíblica.
O último Censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) - de 2010 - concluiu que o número de cristãos evangélicos no país cresceu 61% em 10 anos. Em 2010, 22,2% da população brasileira se declarou evangélica. De acordo com projeções, em 2020 o Brasil terá maioria evangélica.
Uma parte considerável do aumento de evangélicos no Brasil, deve-se à essa nefasta prática: o pragmatismo religioso. Os defensores desse método de divulgação do evangelho, têm encontrado terreno fértil para a sua implementação, devido à falta de interesse dos crentes atuais pelo genuíno ensino bíblico. Embora o desinteresse pelo estudo da Palavra de Deus, tenha sido uma constante ao longo da história, o profeta Oséias já dizia na sua época (cerca de 700 anos de Cristo): “o meu povo foi destruído porque lhe faltou o conhecimento”; o verdadeiro ensino bíblico nunca foi tão crucial para os cristãos como nos dias atuais, pois a sua ausência tem sido uma estratégia eficiente que o inimigo tem infiltrado no meio do povo de Deus. 
Recordando a história: quando Jeroboão I se rebelou contra Roboão, filho de Salomão, e instalou um reino rival no Norte, ele também estabeleceu seu próprio sistema religioso (pragmático), (1 Rs 12.25-33). Ao transgredir as leis de Deus, construiu dois bezerros de ouro e determinou que o povo o adorasse. Também nomeou seus próprios sacerdotes, que não eram descendentes de Arão, como recomendava a lei. No início, os habitantes do Reino do Norte adoraram a Deus, embora o fizessem de forma errada; mas em pouco tempo transferiram a adoração aos deuses cananeus. Rapidamente colocaram Baal no lugar do Senhor, e deixaram totalmente a adoração ao Deus verdadeiro. Hoje não é diferente, por falta do conhecimento bíblico que, como nos tempos do profeta Oséias o rejeitaram deliberadamente, inúmeros cristãos têm sido destruídos.
Em Mateus 07:22 Jesus deixa claro que no dia do acerto de contas, a prática do evangelho pragmático será utilizado como argumento diante d’Ele. Senhor… – Usamos o Teu nome e deu certo (funcionou); nós profetizamos; – Usamos o Teu nome e deu certo (funcionou); nós expulsamos demônios; – Usamos o Teu nome e deu certo (funcionou); nós fizemos muitos milagres. No entanto, o evangelho pragmático não impressiona a Deus. Jesus disse que os  adeptos   dessa prática ouvirão dos seus lábios as seguintes palavras: “Nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade.”
Temos vivido uma época de confusão religiosa e doutrinária, em que crentes ávidos por novidades, correm de um lado para o outro em busca de novos ensinos, de novas práticas, de novos movimentos, de novas sensações, de novos fenômenos, de novos líderes que se dizem portadores de uma unção especial para realização de coisas especiais. Vivemos uma época em que pessoas simples, de uma fé sincera, desejosa de agradar a Deus, são facilmente manipuladas e ludibriadas porque confundem simplicidade com ingenuidade. 
Suas realizações e seus métodos podem até impressionar os homens, mas não impressionam a Deus. São homens que recebem o louvor e aprovação do mundo, mas, não passam pelo crivo de Deus! Em nossos dias, o evangelho paganizado tem dado certo! O evangelho do “agora é só vitória”, tem dado certo! E o pior: temos ficado impressionados com isso!
O que nos consola é que, apesar da nossa “ingenuidade”, Deus não se impressiona com isso! Para Ele, não basta usar o seu nome! Não basta que dá certo! Não basta funcionar! É preciso ser realizado do jeito certo, com a motivação certa, empregando os meios corretos, mediante a pregação do evangelho GENUÍNO. Portanto, nestes últimos dias, não sejamos ingênuos! Não fiquemos impressionados com esse pragmatismo religioso! Pois, nem tudo que funciona tem a aprovação de Deus! Nem tudo que dá certo, passa pelo crivo de Deus, mesmo que seja feito em nome de Deus. 
A Igreja atual, para resistir a essa ofensiva ideológica, necessita ser fortalecida pela pregação e o ensino consistente das Escrituras. E, esta necessidade não só requer dedicação ao estudo das Sagradas Escrituras, como também cuidadosa atenção aos princípios de interpretação, para não nos desviarmos do significado pretendido pelo autor sacro. Pois, esses princípios se corretamente interpretados, expandirão a nossa mente para compreendermos a verdade, ao mesmo tempo em que refrearão nossa imaginação a fim de não ultrapassarmos os limites estabelecidos por Deus na sua Palavra, adotando práticas controversas como o evangelho pragmático, que nada mais é do que o outro evangelho, encontrado por Paulo na Galácia (Gl 1.6).  

REFERÊNCIAS
Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD, 1995.
Dicionário Google on line. Disponível em: https://www.google.com.br/search?q=pragmatismo&oq=pragmatismo&aqs=chrome..69i57j0j69i59j0l3.4996j0j8&sourceid=chrome&ie=UTF-8.   Acesso em 14 de março, 2018.
Wikipedia – A Enciclopédia Livre. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Pragmatismo.  Acesso em 14 de março, 2018.
Pragmatismo religioso. Disponível em: http://reformai.com/pragmatismo-religioso/. Acesso em 14 de março, 2018.
Pragmatismo Religioso e Carisma Sem Caráter, Marcas de “Lobos Disfarçados”! Disponível em : https://estudos.gospelmais.com.br/pragmatismo-religioso-e-carisma-sem-carater-marcas-de-lobos-disfarcados.html. .   Acesso em 14 de março, 2018.
Esli de Souza, Evangelista, Professor aposentado, Graduado em Química e Teologia, Pós-graduado em Pedagogia.