QUE SERES SÃO ESSES QUE
ESTÃO ENCERRADOS EM CADEIAS?
Para compreendermos a resposta a essa indagação, contida no
versículo seis da Epístola de Judas, precisamos nos reportar à origem dos anjos
que, conforme Ne 9.6 e Cl 1.16, não são eternos como Deus, nem auto existentes,
mas foram, como todas as demais “cousas”
trazidos à existência pelo Criador, “nos
céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis...”.
Quando discorremos sobre o mundo dos anjos, lidamos com o
universo invisível dos espíritos, constituindo-se num desafio à mente humana. A
Bíblia não indica uma época definida para a criação dos anjos, mas podemos
inferir que surgiram num período remotíssimo.
No livro de Jó lemos que, do meio do redemoinho Jeová faz-lhe a seguinte
pergunta: “Onde estavas tu, quando eu
lançava os fundamentos da terra?... quando as estrelas da alva, juntas,
alegremente cantavam, e rejubilavam todos os filhos de Deus?” (Jó 38.4,7). Nesse
texto é evidente que Jeová está se referindo à criação universal e, quando Ele
cria as demais coisas, os anjos (as
estrelas da alva) já existiam, pois, estes, ao contemplarem as maravilhas
da criação de Deus, encheram-se de júbilo.
As Sagradas Escrituras indicam que há uma hierarquia no reino
dos espíritos e a mais elevada posição era, no princípio, ocupada por Lúcifer, “o aferidor da medida, cheio de sabedoria
e perfeito em formosura” (Ez
28.12-15), que foi criado, como todos os demais anjos, para glorificar a Deus.
No entanto, ao invés de permanecer fiel a Deus e honrá-lo eternamente, desejou
ser “semelhante ao Altíssimo” (Is
14.14), levando consigo nessa rebeldia, provavelmente um terço dos anjos (Ap
12.4), instituindo, assim, a classe dos “anjos
caídos” .
Apesar de os textos de 2 Pe 2.4 e Jd 6 registrarem que esses
“anjos caídos” estão no inferno ,
presos por algemas eternas aguardando o juízo do grande Dia, entendemos que
essa afirmação se refere a apenas uma parte dos anjos rebelados. As Escrituras
não explicam por que uns espíritos malignos (anjos caídos) estão encarcerados,
enquanto outros estão livres para agir sob o comando do “príncipe das potestades do ar” (Ef 2.2), isto é, Satanás, o
adversário, incitando os homens a se rebelarem contra Deus.
Portanto, embora a Bíblia não contenha informações contundentes
a respeito desses seres mencionados em Jonas versículo seis, a maioria dos
teólogos concordam que essa é uma alusão aos “gafanhotos” descritos em
Apocalipse 9, representando um numeroso exército de demônios que, terão
permissão do criador para saírem da prisão e, somados às “forças espirituais do mal, nas regiões celestes” (Ef 6.12), atuarão
intensamente na terra no período da Grande Tribulação, tendo o poder de
escorpiões, provocarão terríveis tormentos à humanidade, semelhante ao tormento
provocado pelo veneno do escorpião quando fere o homem, com a diferença de que
este desejará morrer mas a morte fugirá dele (Ap.9.6). Esses seres assumirão,
dessa forma, um papel decisivo nos acontecimentos de forma que, conforme
palavras de Jesus registradas por Mateus, será um período de tanta angústia que
se “... aqueles dias não fossem
abreviados, nenhuma carne se salvaria; mas, por causa dos escolhidos, serão
abreviados aqueles dias” (MT 24.22).
REFERÊNCIAS
·
STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo
Pentecostal. CPAD.
·
BEERS, Ronald A. Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. CPAD.
·
CHAMPLIN, Russel Norman, 1933. O NOVO TESTAMENTO INTERPRETADO: versículo
por versículo. HAGNOS, 2002
Esli de Souza. Ministro do
Evangelho na Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Curitiba, Graduado em
Química e Teologia e Pós-graduado em Pedagogia.