sábado, 5 de setembro de 2020


QUE SERES SÃO ESSES QUE ESTÃO ENCERRADOS EM CADEIAS?
Para compreendermos a resposta a essa indagação, contida no versículo seis da Epístola de Judas, precisamos nos reportar à origem dos anjos que, conforme Ne 9.6 e Cl 1.16, não são eternos como Deus, nem auto existentes, mas foram, como todas as demais “cousas” trazidos à existência pelo Criador, “nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis...”.
Quando discorremos sobre o mundo dos anjos, lidamos com o universo invisível dos espíritos, constituindo-se num desafio à mente humana. A Bíblia não indica uma época definida para a criação dos anjos, mas podemos inferir que surgiram num período remotíssimo.  No livro de Jó lemos que, do meio do redemoinho Jeová faz-lhe a seguinte pergunta: “Onde estavas tu, quando eu lançava os fundamentos da terra?... quando as estrelas da alva, juntas, alegremente cantavam, e rejubilavam todos os filhos de Deus?” (Jó 38.4,7). Nesse texto é evidente que Jeová está se referindo à criação universal e, quando Ele cria as demais coisas, os anjos (as estrelas da alva) já existiam, pois, estes, ao contemplarem as maravilhas da criação de Deus, encheram-se de júbilo.
As Sagradas Escrituras indicam que há uma hierarquia no reino dos espíritos e a mais elevada posição era, no princípio, ocupada por Lúcifer, “o aferidor da medida, cheio de sabedoria e perfeito em formosura”  (Ez 28.12-15), que foi criado, como todos os demais anjos, para glorificar a Deus. No entanto, ao invés de permanecer fiel a Deus e honrá-lo eternamente, desejou ser “semelhante ao Altíssimo” (Is 14.14), levando consigo nessa rebeldia, provavelmente um terço dos anjos (Ap 12.4), instituindo, assim, a classe dos “anjos caídos” .
Apesar de os textos de 2 Pe 2.4 e Jd 6 registrarem que esses “anjos caídos” estão no inferno , presos por algemas eternas aguardando o juízo do grande Dia, entendemos que essa afirmação se refere a apenas uma parte dos anjos rebelados. As Escrituras não explicam por que uns espíritos malignos (anjos caídos) estão encarcerados, enquanto outros estão livres para agir sob o comando do “príncipe das potestades do ar” (Ef 2.2), isto é, Satanás, o adversário, incitando os homens a se rebelarem contra Deus.
Portanto, embora a Bíblia não contenha informações contundentes a respeito desses seres mencionados em Jonas versículo seis, a maioria dos teólogos concordam que essa é uma alusão aos “gafanhotos” descritos em Apocalipse 9, representando um numeroso exército de demônios que, terão permissão do criador para saírem da prisão e, somados às “forças espirituais do mal, nas regiões celestes” (Ef 6.12), atuarão intensamente na terra no período da Grande Tribulação, tendo o poder de escorpiões, provocarão terríveis tormentos à humanidade, semelhante ao tormento provocado pelo veneno do escorpião quando fere o homem, com a diferença de que este desejará morrer mas a morte fugirá dele (Ap.9.6). Esses seres assumirão, dessa forma, um papel decisivo nos acontecimentos de forma que, conforme palavras de Jesus registradas por Mateus, será um período de tanta angústia que se “... aqueles dias não fossem abreviados, nenhuma carne se salvaria; mas, por causa dos escolhidos, serão abreviados aqueles dias” (MT 24.22).
REFERÊNCIAS
·         STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.
·         BEERS, Ronald A. Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. CPAD.
·         CHAMPLIN, Russel Norman, 1933. O NOVO TESTAMENTO INTERPRETADO: versículo por versículo. HAGNOS, 2002
Esli de Souza. Ministro do Evangelho na Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Curitiba, Graduado em Química e Teologia e Pós-graduado em Pedagogia.